Feminino, segundo o dicionário da Língua Portuguesa, é um adjetivo, "que se refere a mulher ou a ela é particular". Vem do latim femininus, derivado de femina, ou seja, mulher. Ambas as palavras derivam da mesma raiz, porém, "feminina" carrega um valor mais pessoal, diria até simbólico, pois implica em algo que encarna ou expressa o feminino. O uso dessa palavra, nos dias de hoje, possui caráter histórico, cultural e social, se tornando motivo para reflexões e debates dentro e fora da internet.
Por muito tempo, o termo "ser feminina" foi usado quase como uma norma de comportamento e conduta, se adequar a um modelo idealizado de mulher que deveria ser delicada, sensível, reservada, submissa - a "bela, recatada e do lar" - uma visão conservadora, para não dizer machista, que pré-estabelece valores e expectativas ao que significa ser mulher.
Ao longo dos meus trinta e poucos anos, pelo menos uns 2/3 deles, achei que ser feminina era seguir um roteiro pronto - falar baixo, sorrir delicadamente, não exagerar. Deveria polir minha personalidade e evitar vulgaridades, como se isso fosse suficiente para me livrar das mazelas do mundo. Grande engano! Assim, percebi que minha feminilidade não cabia nos moldes, eu não cabia e isso foi libertador. Desde pequenas somos ensinadas a "agir como moças", mas raramente nos perguntam o que, de fato, isso significa. Afinal, o que é ser feminina - um comportamento, uma essência ou uma escolha?
Em cada época, a sociedade construiu uma imagem do que deveria ser uma mulher feminina, contudo, em pleno século XXI, essas fronteiras se tornaram porosas. Entre o empoderamento e a tradição, a feminilidade deixa de ser uma essência fixa e passa a ser uma construção. Ela passa a ser reinventada por cada mulher, de formas múltiplas e legítimas. Ser feminina pode significar ser forte, ser sensível, ser ousada, ser simples, ser quem se é.
Ser feminina é ser genuína consigo, autêntica, plural. Ser feminina é ser quem você é, independe da roupa que veste, do tom da sua voz ou da forma como ri. Ser feminina é ser mulher. E, assim como as mulheres mudaram com o tempo, conquistando direitos e espaços em uma sociedade que ainda carrega marcas do machismo e do patriarcado, a própria ideia de feminilidade também se transformou.
Hoje, ser feminina é mais do que corresponder a um padrão, é afirmar a liberdade de existir do seu próprio jeito. Essa nova feminilidade não cabe em estereótipos. Independe de saltos, maquiagem ou delicadeza - embora possa conter tudo isso, se essa for a escolha da mulher. É poder ser forte, sem deixar de ser sensível, ocupar espaços antes negados e falar o que pensa sem temer ser chamada de "vulgar".
A feminilidade contemporânea é feita de liberdade. Liberdade para decidir o que vestir, o que sentir, o que calar e o que gritar. É reconhecer que não existe uma única forma de ser mulher. Cada mulher carrega sua própria versão do que é ser feminina, todas autênticas e reais. Porque a verdadeira feminilidade não se aprende, se descobre. E quando uma mulher descobre a sua, o mundo inteiro precisa aprender a lidar com o brilho que ela emana.