Teu cheiro me veste
como quem me encontra nua
e me cobre de pele e memória.
Não é só desejo.
É um sussurro que meu corpo entende
antes mesmo do toque.
É incêndio —
mas também abrigo.
Quando sinto teu cheiro,
não penso.
Meu peito apenas reconhece:
ali mora minha paz
E minha vertigem.
Não sei se quero te amar
ou me esconder em ti.
Talvez os dois.
Talvez seja isso:
ser tua sem te possuir,
sentir teu cheiro
e esquecer do mundo por um segundo.
Quero misturar meu ser no teu,
como se fossemos um —
pele com pele
de tudo o que tu és quando está perto,
quando me envolve sem saber que me cura.
Mesmo que eu não te possua inteiro,
mesmo que tu vá embora,
o que me enebria fica:
o teu rastro em mim,
a paz que só teu cheiro traz.
(Nivelly)

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